quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A QUESTÃO DOS PAPÉIS SOCIAIS

O papel social é a função que exercemos em um dado momento e contexto. No cotidiano, cada indivíduo chega a exercer inúmeros papéis sociais como pais e filhos, professores e alunos, jovens e velhos, somando, ao longo da vida, uma enorme quantidade de papéis sociais.

A função de cada indivíduo em sociedade (no que consiste um dos objetos de estudo da sociologia) interage necessariamente com outros papéis sociais de forma a constituir uma teia de indivíduos, cada qual contribuindo para a manutenção e desenvolvimento do todo. Dessa forma, no intuito de ilustrarmos essa interação entre os papéis sociais, podemos traçar um paralelo com o conceito de solidariedade orgânica do pensador Émile Durkheim. Na verdade, Durkheim não se referia exatamente aos papéis sociais como estamos abordando o termo, mas às especializações desses papéis profissionalmente, de uma forma tal, que a interdependência se torna condição básica para a coesão social; ou seja, aplicando esse conceito em nossa abordagem, temos: para que existam filhos, precisamos de pais; para alunos, professores; para jovens, idosos, o que significa que para a existência da cada papel social, há a necessidade da existência de outros que dêem sentido ao primeiro.

A compreensão do que é o papel social, assim como o estudo das ciências sociais, é importante para ampliar nossa visão da sociedade e nos distanciarmos de juízos com interferências de conceitos pré-estabelecidos. Não se tem a noção exata do quanto às imposições da natureza e do meio em que crescemos interferem nas nossas decisões. O papel social é, na maioria dos casos, fruto de uma escolha, sendo que esta pode ter sido feita a favor do meio social ou não. Por exemplo, nascemos homens ou mulheres, mas hoje já se tem a possibilidade, e até certo apoio, àqueles que desejam mudar de sexo. Sexualidade, portanto, consiste numa opção, e nem sempre numa imposição natural. O mesmo acontece com as convicções políticas e religiosas nas quais nascemos, visto que também temos o livre-arbítrio para decidirmos por outras concepções políticas e idéias de verdade.

Por outro lado, o que dificulta o entendimento do papel social são exemplos como o citado no livro de Hannah Arendt onde o personagem Eichmann capturado na Argentina por crimes cometidos no passado (incluindo genocídio) alega não ter cometido crime algum, pois estava apenas cumprindo sua função de funcionário público. A questão a que nos leva esse exemplo é: será que o papel social é SEMPRE uma questão de escolha? Ou, será que as ideologias podem servir de desculpa para cometer atrocidades como as de Eichmann ?

Para entender melhor o problema em torno do caso de Eichmann, é interessante entender a diferença entre liberdade e livre-arbítrio. No primeiro caso, temos algo que é exterior ao indivíduo, isto é, não depende somente do indivíduo. No caso de Eichmann, ele não poderia descumprir sua função visto que estaria sob ordens que no caso de insubordinação poderiam acarretar prejuízos a ele próprio. Não obstante, a definição de livre-arbítrio (conceito de Santo Agostinho) consiste em algo que vai de dentro para fora, ou seja, os indivíduos são colocados num grande dilema, pois tem o livre-arbítrio, dizendo que podem agir como bem entendem, mas sabem que terão que sofrer as conseqüências, pois não são efetivamente livres. Sob a luz desses conceitos, será que podemos julgar a atitude de Eichmann ?

Também se pode afirmar que as escolhas podem ser conscientes ou inconscientes. Mas a verdade é que como integrantes de um meio social, e dependentes desse sistema, estamos de tal maneira sujeitos às influências externas que nenhuma concepção nossa pode ser entendida como totalmente consciente, totalmente alheia a esses conceitos pré-estabelecidos. Nossas decisões, portanto, são conscientes e inconscientes concomitantemente.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

INÍCIO

Um Primeiro contato com as críticas....espero que sejam bastantes....escrevo no intuito de melhorar a escrita mesmo...a idéia é tratar dos mais variados assuntos trazendo resenha de livros de autoria própria e redações com temas "vestibuláricos"... BOA LEITURA


Pra começar, segue um texto atendendo à proposta publicada no banco de redações da uol. A idéias é dissertar sobre a mentira e até que ponto ele pode ser aceita.

Uma condição social

Sendo a verdade uma das questões mais discutidas desde o advento da filosofia, a mentira, seu mais célebre antônimo, pode tê-la substituído na pauta das grandes questões afligem o homem. Isso ocorre principalmente numa sociedade que abrange um mercado de trabalho como o atual, que zela pela impecabilidade de comportamentos e, principalmente, de currículos.

Há muito tempo que a mentira deixou de ser vista como pecado e tomou para si a função de um recurso, muito utilizado por aqueles que buscam uma melhora de vida. Atualmente, ela pode ser considerada fruto de um processo ou construção cultural deficiente, reforçada pela idéia da constante busca por lucros e status provindos da ideologia capitalista.

Particularmente, a mentira pode assumir o papel de sintoma de frustrações e inseguranças culminando na chamada “síndrome da auto-afirmação” onde o jovem, principal alvo de influência da mídia e demais elementos sociais, mente no intuito de aumentar sua auto-estima e tentar se encaixar num ambiente comum a sua realidade. Estudos sobre essa doença revelam a precariedade da educação vigente que, caso fosse bem administrada, poderia reduzir os índices desses jovens que acabam por se culpar por não atender a todas as expectativas neles depositadas.

Apesar de tudo, há casos em que a mentira afeta outras pessoas como na corrupção e no próprio descomprometi mento com a realização de propostas. Nessas ocasiões, sua prática deve ser condenada e suas conseqüências devem ser submetidas à atuação do poder judiciário. Vale lembrar também que a mentira compromete a confiança das pessoas. Esse fato infelizmente não tem muito significado se aplicado aqui no Brasil visto que umas das principais características do brasileiro é a memória fraca para assuntos políticos.

Na maioria dos casos, portanto, a mentira é fruto de uma doença social construída ao longo dos séculos objetivando estancar falhas curriculares, comportamentais, políticas e demais despreparos tanto de pessoas como de governos. Todavia, devemos ficar atentos para que ela tangencie apenas esses segmentos da sociedade de modo a preservar valores como a amizade, a solidariedade e demais ações altruístas fundamentadas em sentimentos verdadeiros e sinceros.